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Dicas da Dad

Dad Squarisi é editora de Opinião do Jornal Correio Braziliense, em Brasília, e responsável pelas colunas Dicas de Português e Língua Solta.

dad.squarisi@correioweb.com.br



MESMO CLÃ

Quem mata alguém é homicida. Quem se mata é suicida. Quem mata o rei é regicida. O ato de matar alguém se denomina homicídio. De matar-se, suicídio. De matar o rei, regicídio. Cídio é irmãozinho de cida. Também quer dizer matar.

Tenha juízo

Os leitores esperneiam. Não se conformam com a companhia do suicidar-se. Lembram a etimologia do verbo. Sui quer dizer a si mesmo. Mas se esquecem da memória fraca dos homens. Os mortais nem se lembram da origem de vocábulo tão sofisticado. Por causa da amnésia, o dicionários só registram a forma suicidar-se. Talvez por contágio de matar-se.

Manda quem pode. Obedece quem tem juízo. Não seja teimoso. Se você disser "Getúlio suicidou" em vez de "Getúlio suicidou-se", prepare-se. A promoção se vai. A entrada na universidade fica pra depois. O amado diz adeus. Afinal, o amor é cego. Mas não é surdo.

Respeito aos ouvidos

Atenção, muita atenção. Recorde se pronuncia como concorde. A sílaba tônica é a penúltima: reCORde, conCORde.

Olha a distância

Ensino à distância? Ensino a distância? Se a distância for determinada, use à distância. Se não, dê vez ao a distância: O pai viu os filhos a distância. Faço um curso a distância. A polícia seguiu os assassinos à distância de mais ou menos 200 metros.

Confusão

Em frente ao tribunal, apareceram faixas. Uma delas pede ação dos juízes. Diz: "Haja, Justiça".

Nada feito. A ordem misturou alhos com bugalhos. Confundiu aja, do verbo agir, com haja, do verbo haver. Mas nem tudo está perdido. A Justiça é cega.




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